 |
Grande parte de sua obra dos últimos anos é uma recriação de imagens da arte através da observação de seus fantasmas fotográficos reproduzidos, por exemplo, em livros e cartões postais. Esse ponto de partida é fundamental na poética do artista. Amador não pretende produzir imagens genuínas, mas somar ao imaginário coletivo - difundido pelas reproduções que escolhe e de que se apropria - a marca de sua fantasia visual. Despoja a obra de seu corpo objetivo para que, como no sonho, possa trabalhar e recriar a fina e silenciosa impressão que a imagem desencarnada evoca. Essa operação exige, portanto, uma técnica capaz de deslocar do corpo pictórico da obra somente as imagens em que se baseiam os desenhos do artista. Nas séries de Amador, a seqüência é essencial. Embora cada trabalho seja completo, a passagem de um para o outro enfatiza uma dimensão inseparável da poética desse artista - o tempo. Trata-se não apenas da reelaboração estrita da imagem, que mesmo transformada não é destruída, pois extrai parte de sua força da carga icônica que possuía previamente, mas de seu desdobramento, a cada passo do olhar fruidor, em uma sucessão de imagens absolutamente comprometida com a percepção contemporânea.
Fernando Cocchiarale Condensado do livro Coleção do Artista (Amador Perez, 1999)
|