C r í t i c a  |  M o r a i s

Amador Perez surgiu como artista nos anos setenta, década em que o desenho viveu, no Brasil, um dos seus auges. Está ao mesmo tempo dentro e fora da tradição, dentro e fora da modernidade, dentro e fora do que é considerado, hoje, desenho. Desde o início de sua carreira, entretanto, limitou seus instrumentos de trabalho ao mínimo: lápis e papel. Vale dizer: o desenho é, para ele, quase nada. Porém, é tudo de que necessita para realizar sua obra e para recuperar a mais pura tradição do desenho. Vale dizer, parafraseando Barthes: com Amador Perez, o desenho, em sua pureza, é devolvido à pessoa fundamental, o desenhista em tempo integral. Se aprofundarmos o exame de seu desenho, vamos ver que ele está, na verdade, elaborando conceitos e levantando questões que dizem respeito não apenas à poética do desenho, mas ao desenho como linguagem, isto é, o desenho como forma de reflexão.
 
Frederico Morais
Condensado do livro Coleção do Artista (Amador Perez, 1999)