C r í t i c a  |  C a s t a ñ o n

O corpo de Nijinski, enquanto movimento, foi tornado estático pela fotografia, vindo a reencontrar sua dança no espaço específico do desenho: o movimento das linhas, das sombras, da luz, dos planos. Dançar e desenhar interagem. Nos desenhos, o movimento de Nijinski é o movimento do desenho. Mesmo porque o movimento de Nijinski não se realizava em ausência de música, e nos desenhos há como que uma abstração do som, transfigurado nos próprios elementos do desenho. Assim, as diluições, interações, superposições de cenários, figurinos, sombras e luzes recuperam, enquanto desenho, o espaço da dança de Nijinski. Os desenhos desmentem as fotografias. Ao se conformarem em livro, os dez desenhos denunciam uma unidade não apenas externa, mas fundamentalmente interna: as dez imagens, multifacetando-se em imagens inumeráveis, esboçariam, em conjunção prismática, uma imagem do Desenho.
 
Júlio Castañon Guimarães
Extraído do livro Nijinski: imagens (Amador Perez, 1983)