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O traçado leve e preciso do desenhista enfrenta a dureza da matriz da gravura e a domina, resultando num 'desenho gravado' que surpreende o espectador e o impacta. As gravuras são iluminadas pelo uso de cores primárias, secundárias e metalizadas, criando uma afinidade instantânea entre luz e cor. O que é luminoso e o que é iluminado compartilham com o desenho e com seu suporte e os modificam. Subjugado pela dimensão surpreendente dos múltiplos, o olho passeia à procura das imagens nos seus lugares originais. A forte presença do vazio, o branco e o cinza, a distorção e a fragmentação, o recorte e a transposição, a seqüência alterada criam um certo desconforto visual. O olho precisa exercer sua vitalidade, alternando entre os cheios e os vazios, unindo os opostos na totalidade de um mesmo espaço e um mesmo tempo. Apelando para o jogo contínuo entre a imagem recriada e o olho do espectador, entre a cor e a luz, o artista revela a inquietação daquele que sempre busca o novo, sem capitular nos percalços dos novos materiais e das novas técnicas.
Piedade Grinberg Condensado do texto para a exposição de gravuras Gabinete de Estampas, 2001.
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