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Dois são os seus esteios, hoje como ontem. De um lado, a fidelidade extrema, fotográfica até (mas nem se fale de hiperrealismo), na transformação dos dados do real em imagens sobre o papel. Do outro, o prazer de miniaturizar ao máximo essas imagens dotando-as do estranho poder de impressionarem pelo minúsculo. E é exatamente aí, na estranheza crescente, que se localiza a diferença entre o desenho anterior e o atual de Amador. Antes, era o cotidiano que nele virava imagem precisa. Agora, são límpidas ou obscuras configurações na margem do mistério (mistério às vezes mesclado ao humor) que lhe ocupam o diminuto espaço. Templos, colunas, cordeiros, pedestais, anjos, atletas e estátuas compõem, por mão fotográfica, cenários olímpicos onde se vislumbra o infinito através de suas partículas.
Roberto Pontual Condensado de texto publicado no Jornal do Brasil, 1980
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