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Perez 'joga' com relações significativas entre desenho e pintura, pois a maioria dos trabalhos que 'reproduz' com grafite e lápis de cor vem da pintura e da grande pintura clássica, aquela em que o desenho assumiu importância como possibilidade de construir similitudes. Embora ele celebre identidades, Amador esvazia esta relação como se indagasse, exatamente, pela identidade que o desenho procura. A retícula que recobre inúmeros desenhos é, por exemplo, feita depois. O preto e branco do grafite passa por uma identidade com a imagem fotográfica. Amador constrói seqüências onde a imagem (pode ser Mona Lisa ou um rosto feminino de Botticelli) é fortemente marcada ou vai até o limite de uma possível dissolução gráfica. Imagens como as extraídas de pinturas célebres como as de Goya, Vermeer, ou Ingres, convivem com este jogo entre o referencial conhecido e/ou reproduzido. Amador desenha essas imagens extraídas do arquivo do imaginário, mas elas são reconhecidas; mas não são elas mesmas. O desenho na obra de Amador indaga pelo outro do desenho: as pinturas desses mestres. Ele brinca com estas identidades. O lúdico intelectual de Amador que assume um jogo com as imagens é feito por um desenhista extremamente consciente do seu métier.
Wilson Coutinho Condensado de texto publicado no Jornal do Brasil, 1985
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